De repente, faltou aquela “corrente pra frente”…

A Copa da Corrupção

Não sou viciado em futebol, até tenho lá um “time do coração” que não anda me dando muita felicidade ultimamente, mas não acompanhava todos os jogos nem quando dava alguma. Mas se tem uma coisa que sempre fiz questão de acompanhar e torcer a favor foram os jogos da seleção brasileira. Lembro vagamente de uma ou outra coisa sobre a copa de 82, mas de 86 em diante lá se vão 28 anos de patriotismo total em copas, ou quase total porque sou obrigado a confessar que torci pra seleção de Camarões de Roger Milla em 1990.

Faltando pouco mais de 30 dias para o início da tão esperada (não por mim, claro) Copa do Mundo sediada pelo Brasil, me peguei hoje lembrando de como eu costumava ficar ansioso pelo início das outras copas. Comprava camisa do Brasil, chapéu, cachecol, luva (comprei uma vuvuzela verde e amarela pra Copa da África do Sul), preparava uma tabela dos jogos em excell para poder atualizar e acompanhar os pontos de cada seleção e ainda distribuía via e-mail para os amigos. E lembrando disso, percebi que essa ansiedade simplesmente não existe esse ano. Não sei dizer exatamente o que aconteceu, só sei que não estou nem um pouco ansioso para acompanhar essa copa. O fato é que nunca concordei com o Brasil sediando a copa e isso pode ser claramente observado no meu post de 2011 intitulado “Copa do Mundo no Brasil, não Obrigado…” e os meus temores desde aquela publicação só fizeram se confirmar até o momento.

Maior do que deveria ser a minha ansiedade pela Copa do Mundo é o temor pelo estrago que os custos dessa copa vem causando e ainda causarão na economia do Brasil.

Se dependesse de mim, a seleção brasileira não passaria da primeira fase, e antes de que me atirem aos tubarões pela afirmação, quero explicar que, de maneira nenhuma torço contra a seleção brasileira. Minha torcida é contra os políticos e empresários que estão se aproveitando das obras da copa para roubar (e muito) o dinheiro público. E infelizmente, para que a população cega comece a enxergar o dinheiro saindo pelo ladrão atrás das grandes reformas de estádio e obras de infra-estrutura é preciso que a seleção perca.

Quem afirmar que não torço para o Brasil se engana, torço sim para o Brasil. Torço para que o Brasil não faça feio na recepção de torcedores provenientes de todas as partes do mundo que chegarão aqui para assistir esse mundial, torço para que o Brasileiro demonstre toda a sua cordialidade com quem quer que venha a este país, não só durante a copa, mas para todo o sempre. Até porque, os gringos não tem culpa pelo que o nossos políticos estão fazendo durante a preparação para essa copa. Torço ainda mais para que aquela “corrente pra frente” citada na musica “Pra Frente Brasil” tema do Brasil na Copa de 70 seja forte o suficiente para fazer com que os brasileiros escolham melhor seus governantes nas próximas eleições.

Não tem como torcer à favor de uma seleção, seja ela qual for, sabendo que o evento da Copa vai custar ao Brasil anos de investimentos em educação, saúde, geração de empregos, infraestrutura de transportes, moradias e até mesmo no combate à miséria. Enquanto o custo de construção e reforma de estádios e obras de infraestrutura foram superfaturados em mais de 10 vezes o valor inicial e nem sequer existe a garantia de que fiquem prontos a tempo, brasileiros aguardam a construção de novas escolas e a valorização dos professores que irão educar seus filhos e morrem em filas de espera de hospitais sucateados sendo atendidos pro médicos cubanos já que falta curso de medicina no país.

Quando anunciaram o Brasil como sede da Copa 2014, o povo comemorou, lotou a praia de Copacabana e elegeu a sucessora do então presidente do Brasil. Dois anos depois, graças às redes sociais, uma parte dessa população caiu na real e percebeu o tamanho do prejuízo. Muitos foram os protestos e hashtags como #VemPraRua e #OGiganteAcordou invadiram as mídias, mas já era tarde, o Brasil não tinha como voltar atrás e o malefício era inevitável, a copa ia ter que acontecer. Só nos resta agora aprender a lição e não cometer mais os mesmos erros, e o melhor jeito de não cometer os mesmo erros é aprendendo a escolher os políticos que nos representam. O povo foi pra rua e o gigante acordou, mas meses depois o povo foi às bancas e o gigante foi colar figurinhas no álbum da Fifa.

Sonho com o dia em que o brasileiro será tão interessado na politica brasileira quanto no desempenho futebolístico nacional. Sonho com o dia em que todo brasileiro lembrará o nome dos políticos que elegeu na ultima eleição tanto quanto lembra a escalação do time que conquistou a ultima taça. Sonho com o dia em que o povo opine sobre a escalação de seus representantes municipais, estaduais e federais tanto quanto opina sobre a escalação e convocação de sua seleção.

Todos juntos, vamos, pra frente Brasil, mas não para salvar a seleção, e sim para melhorar nosso país, este sim está precisando de salvação urgente.

Da Silva do Brasil

Ayrton Senna no GP de Mônaco

Ayrton Senna no GP de Mônaco

 

Quando chega o feriado do dia 1° de Maio (Dia do Trabalho), fica difícil (para qualquer brasileiro, fã de esportes) não lembrar de um dos maiores (pra não dizer o maior) ídolos do esporte que o Brasil já teve e não seria diferente nesse ano em que se completa 20 anos desde aquele fatídico 1° de Maio de 1994. Muitas serão as homenagens prestadas a ele nesse dia, e com certeza serão melhores do que qualquer uma que eu me propusesse a fazer. Falar sobre esportes nunca foi o meu forte, tenho amigos que dominam essa área com perfeição e deixo a eles esse papel (se cuida Tiago Leifert, Brunão tá na área), por isso resolvi compartilhar com vocês como foi o meu 1° de Maio de 20 anos atrás.

Durante toda a minha infância e adolescência, apenas duas pessoas me motivavam a acordar mais cedo e dormir mais tarde em um fim de semana. Incontáveis foram as vezes em que virei a noite de sábado para domingo aguardando ansiosamente para assistir uma luta do Mike Tyson (que geralmente durava um assalto ou menos) e já permanecia acordado para assistir Ayrton Senna representando espetacularmente o “Brasil que deu certo” na Formula 1, principalmente nos GP´s que aconteciam na Ásia e/ou Oceanía por conta do fuso horário.
Quando eu digo que Ayrton representava espetacularmente o “Brasil que deu certo”, não pretendo ser injusto com Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet que vieram antes e durante e que também representaram muito bem o Brasil no automobilismo. Acontece que Ayrton era diferente, demonstrava uma garra que ia além da compreensão, sua vontade de ganhar estava estampada em cada um de seus gestos, sua determinação espantosa o fazia ir contra todas as regras, conchavos, probabilidades e favoritismos, além disso, Ayrton não perdia a chance de mostrar que era brasileiro exibindo sempre que possível uma bandeira brasileira. Resumindo, Ayrton era a representação viva da frase “Sou Brasileiro e não Desisto Nunca” que ganhou notoriedade muito tempo depois de sua morte. Além de tudo isso que já citei acima, existia mais um detalhe que diferenciava Ayrton de Emerson e Nelson e na minha opinião era o detalhe que mais o aproximava do povão; Ayrton era um SILVA. Ayrton Senna da Silva, sim, ele tinha um sobrenome comum, daqueles que geralmente constava no registro de nascimento das classes mais pobres e nunca escondeu isso.
Minha atração pelo pugilismo das madrugadas durou pouco. Vencido pela indisciplina acumulada por anos de vivência nos guetos americanos, Tyson sucumbiu às drogas, foi preso e condenado ao ostracismo numa pena que duraria muitos anos e que custaria toda a sua carreira.
Já no automobilismo, meus motivos para acordar cedo ou nem dormir duraram até 17 de Abril de 1994 no GP do Pacífico vencido pelo alemão Michael Schumacher com Gerhard Berger em segundo lugar e Rubens Barrichello em terceiro, Ayrton não terminou a prova devido a uma colisão. No dia 1° de Maio do mesmo ano, dia do GP de San Marino, meu motivo para acordar de madrugada foi outro, meu tio (marido da minha tia) sofrera um AVC no início da madrugada de sábado para domingo fazendo com que toda a família amanhecesse no hospital e por lá permanecesse por todo o dia. Depois de muitos anos acompanhando assiduamente o campeonato de Formula 1, quando saí de casa naquela madrugada, já imaginando que não voltaria à tempo, levei comigo um walkman (pra quem tem menos de 20 anos, walkman era um radio portátil am/fm da Sony com toca fitas que usava fones de ouvido) para poder acompanhar a corrida pelo rádio mesmo dentro do hospital. E foi lá, de dentro do hospital que eu acompanhei aquele GP de San Marino, transformando a voz de Nilson César da Radio Jovem Pan em imagens mentais até a hora do fatídico acidente da curva Tamburello em Ímola.

Chorei, como nunca havia chorado antes, um pouco devido ao clima do local onde me encontrava no momento e muito pela noticia do ídolo que não estaria mais lá nos próximos GP´s. Julguei prematuramente que aquele era sem sombra de dúvida o dia mais triste e marcante de toda a minha vida, porém eu ignorava o que estava por vir. Por volta das 13:40hs do dia 1° de Maio, foi anunciada oficialmente a morte de Ayrton, e junto com ele morreu também um pedacinho de cada brasileiro. O luto aconteceu de forma automática e a população brasileira entrou nesse clima de consternação revendo inúmeras vezes aquelas terríveis imagens que a TV não parava de exibir.

No dia 04 de Maio, o corpo de Ayrton chegou ao Brasil, no aeroporto de Cumbica em Guarulhos. O corpo seria velado no prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo que ficava ali bem próximo do Parque do Ibirapuera e estava bem no trajeto que eu teria que fazer para ir ao trabalho. Naquele dia mudei meu trajeto, fui de metrô. Eu não queria ver, não queria participar, queria apenas lembrar do Ayrton vencedor, confesso que fui covarde.

Quando finalmente sai dos subterrâneos no centro da cidade, percebi que São Paulo estava totalmente parada. intransitável e ao longe pude ver o caminhão do Corpo de Bombeiros e o cortejo que acompanhava o corpo de Ayrton atravessando o centro pela Av. Tiradentes.

Naquele momento, percebi que isso não poderia acabar assim, não seria justo deixar que o cortejo passasse por ali sem me despedir. Por um momento, esqueci que existia um emprego e um horário a ser cumprido e me juntei à multidão que se acotovelava para ver Ayrton passar. E quando passou, entrei em marcha junto com a multidão que acompanhava o cortejo a pé indo na direção contrária a do meu destino inicial. Esqueci que tinha um trabalho a ser feito, caminhei por kilômetros acompanhando de longe aquele caminhão que ficava cada vez mais distante e quando dei por mim já estava na metade da Av. 23 de Maio. Naquele dia, o funcionário até então exemplar faltou ao serviço, mas ligou informando o motivo, um parente muito próximo havia falecido…

 

Cortejo à Ayrton Senna - Av. 23 de Maio

Cortejo à Ayrton Senna – Av. 23 de Maio

Facultativo pra Quem?

Ponto Facultativo

Não sou contra feriados, e nem poderia ser, afinal, trabalho em uma área que lucra muito com os feriados. Mas se existe algo que me incomoda muito, isso são os “pontos facultativos”.
Pra quem não sabe a diferença entre feriado e ponto facultativo, leia abaixo uma pequena explanação:

Feriado

O feriado, conforme a Lei nº 605/49, garante aos trabalhadores em geral folga obrigatória, sem desconto na remuneração respectiva. No caso de atividades que permitem o trabalho em feriados, seja por previsão legal e/ou convencional, ou por autorização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o trabalho no dia de feriado gera o direito a novo pagamento do dia trabalhado, se não compensado oportunamente.

É como se o trabalhador estivesse vendendo a sua folga, assim como pode vender parte de suas férias (abono pecuniário do art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT).

Ponto Facultativo

Não há impedimentos para trabalhar em dia de ponto facultativo. Dessa forma, o empregador, conforme art. 2º da CLT, não tem a obrigação de liberar os funcionários da prestação do serviço, tendo essa dispensa, será mera liberalidade.

Assim, o trabalho pode ser exigido pelo patrão do empregado em datas qualificadas com o ponto facultativo, sem direito a receber qualquer remuneração especial, o que não é aceito de forma indiscriminada para o feriado.

Agora que já sabemos a diferença entre feriado e ponto facultativo, voltamos a programação normal com o desabafo e minha indignação.

Pontos facultativos são decretados pelo governo federal, estadual ou municipal e eu quero acreditar que exista algum forte motivo ou alguma boa explicação para isso, porém, até agora não consegui encontrar.

Um bom exemplo de ponto facultativo que pode ser analisado é exatamente o dia de hoje (quinta-feira, 17 de abril de 2014), véspera de um feriado conhecido como “semana santa” que se inicia com a “sexta-feira da paixão (de Cristo)” e termina no “domingo de Páscoa”, mas que neste ano ainda terá o complemento de mais um feriado, na segunda feira, dia 21 de abril “Tiradentes”.

A pergunta que não quer calar é, afinal, porque cargas d’água o município resolveu decretar ponto facultativo numa quinta feira que antecederia um feriadão de quatro dias consecutivos?

Será que a administração municipal considera quatro dias pouco para o merecido descanso de seus servidores? E o que a população (não agraciada com esse ponto facultativo) faz nos próximos cinco dias? E os pais, que assim como eu tem filhos em idade escolar que estarão sem aula nos próximos cinco dias, fazem o que? Levam os filhos para o trabalho?

A administração pública (nacional) me decepciona a cada dia. Bom seria mesmo se o voto também fosse facultativo e os políticos precisassem que uma quantidade X de votos fosse alcançada para se eleger. Ai eu queria ver…

Público

Da Apoteose ao Terrorismo

tom-maior-2014

Do alto de seus gloriosos 100 anos, Foz do Iguaçu ainda enfrenta a sina de ser uma cidade estereotipada, hora pelos folhetins policialescos, hora em verso e prosa e quem sabe, talvez, até mesmo pela turminha da sétima arte.

Não é de hoje que Foz do Iguaçu recebe apelidos como “Capital da Muamba” ou é acusada de abrigar um braço da “Al-Qaeda”, alguns apelidos aliás, ganhou por puro mérito, já outros, por puro sensacionalismo midiático.

Nos últimos tempos, duas noticias vieram à tona prometendo aumentar a fama de Foz do Iguaçu (para o bem ou para o mal) pelos quatro cantos do Brasil e quiçá, para o resto do mundo, a primeira confirmava a homenagem que o Grêmio Recreativo Escola de Samba Tom Maior fará para Foz do Iguaçu no desfile das escolas de samba de São Paulo em 2014 em comemoração aos 100 anos da fundação da cidade. A segunda noticia ainda é tratada como boato, mas vem causando temor aos iguaçuênses mais tradicionais. Trata-se de um possível roteiro hollywoodiano que usaria Foz do Iguaçu como cenário principal numa trama que retrataria o trafico de drogas, contrabando, corrupção e a ação de grupos terroristas na região da tríplice fronteira.

A homenagem pelos 100 anos de Foz do Iguaçu estava até sendo vista com bons olhos, mas bastou alguém se atentar a um pequeno refrão do samba enredo que diz “olha o muambeiro trazendo de lá, no jeitinho brasileiro pro lado de cá, na amizade dá pra negociar…” para se instaurar um burburinho nas redes sociais que logo se transformou em tema de discussão na câmara dos vereadores. Veja o clipe com o samba enredo completo e tire suas próprias conclusões:

Quanto ao boato de um roteiro hollywoodiano usando Foz do Iguaçu como cenário, esse nunca foi aceito e já não é de hoje. O repúdio já existia desde que anunciaram um possível roteiro com nome provisório de “Triple Frontier” que seria dirigido pela diretora Kathryn Bigelow logo após a mesma ter ganhado o Oscar de melhor direção pelo filme “Guerra ao Terror”. E o repudio só aumentou, mesmo depois de anunciarem que um brasileiro, José Padilha, que ganhou notoriedade internacional após dirigir “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro”, estaria assumindo a direção do roteiro anteriormente engavetado e agora renascido das cinzas com o nome provisório de “Tri-Border”.

Até dá pra entender a indignação de alguns cidadãos iguaçuenses quando pessoas alheias a nossa região evidenciam os pontos negativos de nossa cidade deixando de lado uma centena de pontos positivos que poderiam ser usados à exaustão. Mas ai eu pergunto a vocês, caros leitores; dá pra negar que existam “muambeiros” em nossa região e que muitos deles se utilizem de negociatas e corrupção para trazer mercadorias “do lado de lá para cá” conforme o refrão do samba enredo? Dá pra negar que exista contrabando, tráfico, corrupção e quiçá uma possível célula terrorista (mesmo que nunca tenha sido provado) aqui na tríplice fronteira como pretende abordar a produção hollywoodiana?

Antes de começarmos a criticar e exigir a cabeça dos envolvidos, alguém já parou pra pensar que se trata de uma FICÇÃO? Ninguém está vindo aqui rodar um documentário, ficção não tem obrigação de se ater aos fatos ou à realidade. E quem acredita que uma obra de ficção possa “queimar” o filme da cidade, não pode estar falando sério.  Nem precisaríamos nos preocupar com “queimação de filme” com ficção gringa quando os próprios telejornais brazucas promovem isso ano após ano com aquela tão conhecida receita de matéria em que um repórter compra uma arma de fogo no país vizinho, paga alguém para atravessar, usa uma câmera escondida para conseguir alguns depoimentos duvidosos e compila tudo isso mesclando com algumas imagens aéreas cedidas pelos órgãos de fiscalização federal geradas em alguma operação da década passada.

Sinceramente, eu não acredito que um filme de ficção ou um trecho de samba enredo possam prejudicar de alguma maneira Foz do Iguaçu, e digo mais, eles podem sim é promover ainda mais o destino.

Em 2009, uma organização terrorista derrubou a Torre Eiffel em “G.I Joe – A Origem de Cobra”, você conhece alguém que desistiu de ir a Paris por causa desse filme? Godzilla devastou Tókio tantas vezes que não consegui fazer as contas, por acaso alguém deixou de ir a Tókio por isso? Nova York é a recordista entre as cidades vitimadas pela 7ª arte, já foi assombrada por fantasmas em “Os Caça-Fantasmas (1984)”, invadida por alienígenas em “Independence Day (1996)”, devastada por meteoros em “Armageddon (1998)”, atacada por terroristas em “Nova York Sitiada (1998)”, apagada do mapa em “O Dia Depois de Amanhã (2004)”, já foi devastada pelo poder implacável da natureza em “2012 (2009)” e assolada por uma doença sem cura em “Eu Sou a Lenda (2007)”. Algum desses filmes o fez desistir de visitar Nova York?

Num exercício mental, tentei por algumas horas criar um enredo de thriller de ação, usando o cenário de Foz do Iguaçu, que ficasse bom o suficiente para merecer ser gravado por um dos grandes estúdios de Hollywood com a intenção de criar um blockbuster dos cinemas sem citar tráfico, contrabando e outros delitos pouco favoráveis para a imagem do destino e o resultado foi um só, NÃO CONSEGUI!

Está mais do que na hora de a população iguaçuense parar de se vitimizar, Foz do Iguaçu atingiu sua apoteose, se transformou em destino do mundo com a inclusão das Cataratas do Iguaçu entre as sete maravilhas da natureza, virar locação de filmes é só um dos efeitos colaterais. Se a mídia vai nos enviar limões, nós temos capacidade suficiente para transformar tudo isso em uma enorme limonada para vender aos turistas. Que venham os estúdios hollywoodianos, estaremos de portas e carteiras abertas para receber os royalties das locações de gravação, com profissionais de sobra para trabalhar na cenografia e em qualquer outra área que necessitar, e se sobrar uma vaguinha para o papel do “negro obrigatório”, me coloco desde já a disposição para o papel.

Turismo em C.D.E e a Grama do Vizinho

Fronteira-Paraguai

Entra e sai crise em Ciudad Del Este, hora por conta do aumento na fiscalização, hora por conta da variação do dólar (moeda usada pelo comércio de Ciudad Del Este) e eles não perdem a velha mania de colocar a culpa de suas frustrações nos vizinhos brasileiros.

Esse ano não foi diferente, depois de amargar vendas baixas durante o primeiro semestre de 2013, nem mesmo a proximidade com o Dia das Crianças, uma das datas que mais atraíram compristas à Ciudad Del Este nos últimos anos, fez com que aumentasse o numero de visitantes na cidade, e o comércio local continua amargando baixas vendas, além disso, todo o já péssimo e mal estruturado setor turístico de Ciudad Del Este amargam essa baixa de visitantes juntamente com os lojistas. Diante disso, políticos e sindicalistas locais resolveram, mais uma vez, colocar toda a culpa nos vizinhos brasileiros, e criaram uma lei que praticamente impede que os transportadores turísticos brasileiros que levam seus passageiros até Ciudad Del Este os tragam de volta.

Resumindo a lei, funciona mais ou menos assim: Transportadores turísticos (vans, carros, motos e possivelmente ônibus) podem atravessar a ponte rumo a Ciudad Del Este levando passageiros, porém para retornar ao lado brasileiro, os passageiros terão que optar por um transportador paraguaio (ou voltar a pé para o Brasil) já que os brasileiros serão obrigados a voltar com os veículos vazios. A lei ainda não foi aprovada (a reunião que define isso acontecerá na próxima segunda-feira 07/10/2013), mas é quase certo que será, com uma ou outra modificação mas será.

A medida protecionista em si não é o que chama a atenção, vários países adotam esse tipo de medida para defender sua economia em épocas de “vacas magras”. O que chama a atenção é essa ideia rasa dos políticos e sindicalistas paraguaios sempre tentando atribuir a culpa do próprio fracasso aos países vizinhos.

Se essa lei for aprovada, Ciudad Del Este pode estar dando um tiro no próprio pé. É fato conhecido que, fazer compras no Paraguai há tempos deixou de ser o interesse numero um do turista que visita a região da tríplice fronteira. A falta de estrutura para receber o turista, muito mais exigente hoje do que ha 20 anos atrás quando Ciudad Del Este era a “Meca” das compras na América Latina, fez com que o interesse do turista diminuísse gradativamente. O transito caótico e mal organizado juntamente com a inexistência de leis de transito coerentes e a falta de locais seguros para estacionar ganharam fama e nenhum turista ousa adentrar com seu próprio veículo em Ciudad Del Este.

Sabem aquele velho ditado, “A grama do vizinho é sempre mais verde”, pois é, deve ser baseado nele que políticos e sindicalistas de Ciudad Del Este criam essas leis absurdas. Será que eles acreditam mesmo que, impedindo os transportadores brasileiros de retornarem para o Brasil com seus passageiros esses mesmos passageiros irão migrar para o transporte paraguaio como num passe de mágica? Esses criadores de leis paraguaios ignoram todo o trabalho que há décadas vem sendo desenvolvido pelo setor turístico iguaçuense para atrair turistas para a região. Esses mesmos criadores de leis, subestimam o capacidade do setor turístico iguaçuense em redirecionar esse mesmo fluxo de turistas para outros destinos já existentes ou a serem criados para suprir a vaga deixada pelo “passeio de compras no Paraguai”.

Quando será que os políticos e sindicalistas de Ciudad Del Este vão parar de cobiçar a “grama do vizinho” e começar a cultivar a sua própria? Muita gente desconhece, até mesmo por não ser amplamente divulgado, mas existem muitos pontos turísticos interessantes para se visitar no Paraguai. Veja os principais pontos turísticos no Guia Turístico do Paraguai, criado pelo amigo Guilherme Wojciechowski, no site Sopa Brasiguaia.

Se os políticos e sindicalistas de Ciudad Del Este perdessem menos tempo tentando ganhar turistas de “mão beijada” dos transportadores turísticos brasileiros e investissem mais em infraestrutura turística e viabilização de roteiros turísticos, implantassem um programa de saneamento básico além é claro de um programa de conscientização local preparando a cidade para “receber bem” o turista, tenho certeza que em pouco tempo o destino Ciudad Del Este estaria consolidado e não apenas como turismo de compras, mas também como ponto de partida rumo a outros destinos dentro do país. Também é preciso criar meios para garantir a segurança do turista que opta por utilizar o transporte turístico paraguaio, evitando assim que turistas sejam sequestrados e assaltados dentro de vans de transporte turístico paraguaio como vem acontecendo há anos sem que nada seja feito.

Caros colegas de CDE, se a grama do vizinho hoje parece estar mais verde lembrem-se: Foi preciso muito trabalho, investimento e dedicação. Não foi sorte e muito menos algum produto milagroso importado da China que a deixou assim.

Fica a dica…

SEX, DRUGS AND ROCK ‘N’ ROLL – O fim de uma era #RiR…

Uma semana após o fim da edição 2013 do Rock in Rio, depois do êxtase que Metallica e Iron Maiden me causaram, comecei a analisar algo que me chamou a atenção…

Sex drugs

Sexo, drogas e rock ‘n’ roll, se existe alguma coisa que a edição 2013 do Rock in Rio conseguiu provar até o momento é que essa santa trindade do mundo da música pop e do comportamento jovem, desde o advento da contracultura e da revolução sexual, no final dos anos 60, foi finalmente quebrada. Assistindo as performances dos cinquentões (e sessentões) Iron Maiden, Metallica, Bruce Springsteen e Bon Jovi entre outros, ao vivo em 2001 e pela TV em 2011 e 2013 pude ter a certeza de que as drogas foram abolidas dessa trindade por seus maiores disseminadores, os roqueiros e metaleiros. As performances de palco de Bruce Dickinson (iron Maiden) e Bruce Springsteen, ambos com mais de meio século de primaveras deixaram os mais jovens sedentários com inveja.

E se ainda não bastasse a demonstração de boa forma no melhor estilo “Mens sana in corpore sano” exibida em cima do palco, ainda rolou na internet uma lista de “exigências” de alguns roqueiros que deixou bem clara a nova atitude do metal.

Segue abaixo algumas das exigências:

Bon Jovi
Água em temperatura ambiente, comida vegetariana e brownies. Além disso, café forte com 2% de leite desnatado, e tudo servido exatamente na hora marcada.

John Mayer
Exigiu lixos com separação e identificação para reciclagem, além de alimentação vegetariana – somente com produtos orgânicos.

Bruce Springsteen
Gosta de tranquilidade e pediu um quarto do silêncio para descansar antes do show no Rock in Rio 2013. Ele também solicitou frutas, mel, cereais, achocolatados e água.

Alice in Chains
Proíbem bebidas alcoólicas no camarim. Nas exigências, também estavam alimentos orgânicos, como brotos, vegetais e frutas para sucos. Também deve haver um liquidificador e uma centrífuga.

Metallica
Cachorro-quente de tofú, massas, purê de batatas, legumes e frango grelhado.

Depois de tantas lendas do pop rock terem sua curta vida ceifada pelo uso indiscriminado de drogas (lícitas e ilícitas) e álcool, numa onda sombria de mortes desde a década de 70 até os últimos anos com as mortes de Michael Jackson e Amy Winehouse, parece que finalmente a atitude dos metaleiros começou a mudar (pra melhor).

Que essa nova atitude sirva de exemplo também para os artistas nacionais, que parecem estar caminhando na contra mão do movimento mundial e que mortes como a do Chorão (vocalista do Charlie Brown Jr.) não se repitam mais aqui no Brasil.

Quer saber o tamanho do prejuízo que as drogas já causaram à musica mundial? Clique para acessar a LISTA DAS MAIORES MORTES DA MÚSICA MUNDIAL.

Todo dia é Dia do Sexo!

69

Bastou uma campanha de marketing bem construída, encomendada cinco anos atrás por um fabricante de preservativos, para o dia 06/09 (facilmente associado ao 69) ser oficializado nacionalmente como “o dia do sexo”. E bastou existir um “dia do sexo” para que as pessoas começassem a imaginar verdadeiras orgias dignas da direção de John Stagliano acontecendo nesse dia.

Depois de ver uma enxurrada de postagens nas redes sociais hoje, fiquei aqui pensando: será que é preciso existir um “dia do sexo” para fazer as pessoas pensarem em sexo, capricharem no sexo, inovarem saindo da mesmice do “papai e mamãe” no sexo?

Não sou contra quem curte um “Papai e mamãe”, mas não concordo com quem pensa que sexo tem que ser institucionalizado, com dia, hora e local marcado e com posições pré-acordadas.
Gostoso mesmo é fazer onde e quando der vontade, de frente, de costas, de quatro ou fazendo o quadradinho de oito. Pode ser no carro, na rua, no cinema, na escadaria do prédio ou no banheiro da balada.

Não é preciso esperar pelo “dia do sexo” para incrementar sua pacata vida sexual, investindo em novas posições e brinquedinhos e caprichando nas preliminares. Boas preliminares, aliás, quase sempre são a garantia de um bom sexo.

E para quem acredita que é preciso grande investimento para surpreender seu parceiro, deixo para vocês uma cena do filme Death Proof de Quentin Tarantino (2007) que mostra que vontade, criatividade e simplicidade podem fazer uma garota de Havaianas sensualizar até mesmo o mais beato dos crentes.

 

Bom sexo pra você, hoje, amanhã e sempre ;-)