Gente Diferenciada, Mantenha o Respeito.

Lembram quando moradores do bairro de Higienópolis na região centro-oeste da capital de São Paulo entraram na justiça contra a construção de uma estação de metrô no bairro e em entrevista uma moradora justificou dizendo que a nova estação traria gente “diferenciada” para o bairro?
Leia a notícia aqui.

Pois é, essa afirmação (e o fato de Higienópolis ser um tradicional bairro da elite paulista) gerou protestos, manifestações e até mesmo um “Churrasco de #GenteDiferenciada” convocado pelas redes sociais Twitter e Facebook.

Leia a notícia aqui.

De repente, um ano depois desse memê, acho que consegui entender o que aquela moradora queria dizer… Calma, vou tentar explicar.
Na época, muita gente encarou essa afirmação como elitista e preconceituosa, uma verdadeira afronta contra as classes sociais menos favorecidas. Eu mesmo, até ontem, pensava assim.

Antes de continuar esse texto, gostaria de informar que: não faço parte da elite paulista e muito menos da iguaçuense. Trabalho em dois empregos e procuro um terceiro pra conseguir equalizar minhas finanças. Bom agora que esclareci isso, acho que podemos voltar ao assunto principal sem que eu corra o risco de ser julgado de forma errônea pelo que irei escrever.

Ontem, dia 25/05/2012, tivemos um show popular promovido pela Itaipu Binacional e RPCTV no Gramadão da Vila A (para quem não é de Foz, o Gramadão é uma espécie de praça com um grande espaço propício para esse tipo de evento) em comemoração ao título de “uma das sete maravilhas naturais do mundo moderno” para as Cataratas do Iguaçu.

Leia a notícia aqui.

Leia mais notícias aqui.

Reportagem do Paraná TV 2ª Edição aqui.

O show foi maravilhoso, palco muito bem montado e digno de grandes shows, dois telões para que todos pudessem ver mesmo à distancia, atrações para agradar a todos os gostos e uma queima de fogos monumental digna de Copacabana Palace no réveillon. Enfim, tudo perfeito (ou quase).

Pra explicar o “quase”, primeiro tenho que dizer que moro na região da Vila A ha quase dois anos, não exatamente na Vila A mas ao lado, a dois quarteirões do Gramadão da Vila A. Meu bairro, assim como muitos aqui da cidade, tem um sério déficit quando o assunto é segurança pública. Um de meus empregos me proporciona rodar por quase todos os bairros da cidade e fica fácil comparar a situação de meu bairro com os outros. Embora (como já disse acima) meu bairro seja carente de segurança pública, um fato que sempre me fez sentir orgulho de morar aqui foi o de nunca ter me deparado com pessoas fazendo uso de entorpecentes por aqui, fato que infelizmente já ocorreu em diversos bairros dessa cidade. Não que eu tenha algo contra quem faz uso de entorpecentes, mas ter que ver alguém fazendo isso e ficar com cara de paisagem como se fosse a coisa mais normal do mundo é de causar gastrite em qualquer pai de família.

O fato é que ontem, enquanto me dirigia para o Gramadão com minha família (a pé, já que moro a dois quarteirões) verifiquei que havia muitos policiais no local (Policia Militar, Guarda Municipal) e isso me deu uma falsa sensação de segurança. No auge do segundo show (com “A Banda mais Bonita da Cidade”) percebi que a grande maioria dos policiais (quase todos, com exceção de dois soldados que faziam ronda a pé entre os presentes) se concentrava apenas na avenida Silvio Américo Sasdelli e aparentemente tinha como única função, guinchar automóveis e motocicletas estacionadas em local proibido.
Com a falta de presença policial ostensiva dentro do evento e gente vinda dos quatro cantos da cidade (gente de bem que veio se divertir com a família e gente do mau que veio causar baderna) uma verdadeira “boca de fumo” se instalou na lateral esquerda do Gramadão, atrás dos camarotes que foram montados para os convidados e a imprensa. A visão era estarrecedora e de repente me vi diante de uma versão iguaçuense da cracolândia paulista. Eram adolescentes e adultos fazendo uso de bebidas alcoólicas, entorpecentes e aquele maldito arguile descaradamente como se tudo fosse lícito. Pessoas transitavam entre os presentes carregando garrafas de aguardente pura e fumando maconha. O posicionamento estratégico da “boca de fumo” mudava de acordo com o posicionamento dos únicos dois policiais que faziam ronda dentro do evento de forma com que os dois grupos (maconheiros e policiais) nunca se encontrassem. A movimentação era intensa, maconheiros atravessavam o Gramadão de leste a oeste com seus “baseados” acessos, esbarrando nas famílias que ali se encontravam, provocando constrangimento nas pessoas e fazendo com que muitas pessoas se afastassem. Quando começou o show da banda “Cidade Negra” tentei localizar aqueles dois policiais que faziam a ronda para informar-lhes que estavam na direção errada e que o foco da confusão com certeza se daria a partir da lateral esquerda atrás dos camarotes, mas minha busca não deu resultados, simplesmente não os localizei mais.

Resolvi então me retirar do local com minha família (meio a contra gosto já que estávamos ali para assistir ao show do cantor Daniel) e ainda tentando localizar os policiais que faziam a ronda. Já chegando à avenida, localizei um grupo de quase dez policiais reunidos numa “rodinha animada” e decidi me dirigir até eles para contar o que havia presenciado na esperança que alguma atitude fosse tomada, porém desisti no caminho. Sim, caros leitores, desisti da denúncia no caminho quando avistei a menos de dez metros da “rodinha animada” de policiais uma segunda “rodinha animada” de maconheiros fazendo uso de entorpecente na calçada a avenida Silvio Américo Sasdelli indiscriminadamente sem que nenhum dos policiais presentes tomasse qualquer atitude.

Sem nada dizer, caminhei em direção à minha casa. Dois quarteirões em silêncio, com a questão dos maconheiros na garganta. Foi exatamente nesse momento que me recordei do caso da “gente diferenciada” de Higienópolis. Comecei a imaginar sobre o que aquela moradora havia dito e cheguei à conclusão que talvez ela tivesse razão.

De repente, também não queria essa “gente diferenciada” transitando pelo meu bairro. Mas não é “gente diferenciada” pela situação financeira. È “gente diferenciada” pelas atitudes. Gente que não respeita as famílias, gente que impõe suas preferências à revelia do que as outras pessoas julgam correto, gente que acha bonito ser feio, gente que é fraca e só consegue se divertir com a ajuda de entorpecentes, gente que me dá náuseas, gente que desperta o Charles Bronson dentro de mim no ápice do “desejo de matar”.

Eu não quero essa “gente diferenciada” no meu bairro, assim como a maioria das pessoas não as quer também. Não gostaria de ver o Gramadão às moscas, mas se for para promover um evento sem o verdadeiro apoio e comprometimento das forças policiais e ver o Gramadão tomado por uma marcha de zumbis, que assim seja, não façam mais eventos ali, por favor.

Pronto, já podem me crucificar se quiserem. Prefiro ser condenado à cruz por falar a verdade que ser conivente com gente que só consegue viver no mundo da fantasia.

Ps.: Continuo afirmando, não tenho nada contra quem usa maconha, agora contra quem usa maconha na frente do meu filho, bom , pra esses eu posso providenciar uma Magnum .44.

26/05/2012 at 11:56 AM 2 comentários

Anonimato, será?

Hoje em dia é cada vez maior o número de horas que “gastamos” utilizando a Internet e todas as ramificações do sistema telefônico. A despeito das atividades que realizamos, o fato é que são em número cada vez maior: redes sociais, e-mails, transações bancárias, blogs, jogos, celular, SMS etc. Como esse número só tende a aumentar, exercemos tais atividades de forma tão automática que passamos a não perceber o quão expostos podemos ficar.
Como a tendência é fazermos as coisas de forma progressivamente automatizada, passamos a não perceber que somos constantemente monitorados, seja por órgãos governamentais, seja por hackers ou até mesmo por pessoas próximas.
Qualquer um que use o sistema de telefonia, seja celular, fixo, ADSL ou 3G, mídias sociais ou mensageiros está propenso a ser monitorado. Órgãos governamentais usam da premissa do combate ao terrorismo e ao crime organizado para monitorar 100% dos usuários e basta você ultrapassar a linha do politicamente correto e o legal para estar correndo sérios riscos de ser processado ou preso pelas mais diversas alegações.
Quem nunca viu num noticiário alguém sendo processado ou preso por ter “caído num grampo autorizado” ou ter sido “rastreado por especialistas em crimes digitais”?
Nesse momento um dos maiores exemplos de monitoramento é o “Caso Cachoeira” onde até mesmo um senador foi pego no grampo sendo acusado de envolvimento em todo o tipo de falcatrua organizada por um “bicheiro” na região centro-oeste do Brasil.
Já no ramo dos crimes digitais, esse mês (Maio/2012) uma usuária da rede social Twitter foi condenada por tecer comentários preconceituosos contra nordestinos em 2010 enquanto outros quatro foram detidos por disseminar fotos “caliêntes” de uma atriz de novelas na internet (depois de supostamente tentar extorquir dinheiro da mesma para não divulgar as fotos). Aqui em Foz do Iguaçu, nesse mesmo mês, tivemos o caso da empresária que resolveu contratar uma equipe de especialistas para localizar e identificar (acho que a opção preferida dela seria o Search and Destroy) o autor de um fake (perfil falso) da mesma na rede social Twitter.
Os exemplos acima servem para provar que anonimato nas telecomunicações não existe, NINGUÉM está livre do monitoramento, o “Big Brother” de Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell é uma realidade.

Por conta desses últimos acontecimentos (principalmente o mais próximo a mim) resolvi escrever esse post com algumas dicas úteis de como garantir o mínimo de privacidade no uso da internet e da telefonia.

Antes de qualquer coisa, quero que tenham consciência de que a informação, assim como uma arma, pode ser usada para fins nobres, questionáveis ou completamente ilegais.
Existe uma quantidade enorme de sites e ferramentas que prometem anonimato completo na Internet. Duvidem muito disso! Tenham sempre em mente que não é possível! Claro que há formas de tornar sua descoberta uma tarefa tão difícil que só valeria a pena em caso de crimes graves como pedofilia, fraudes bancarias etc. Mas níveis muito altos de anonimato exigem conhecimentos técnicos elevados, e principalmente muita autodisciplina. Como o intuito aqui é apenas ajudá-lo em sua privacidade e quando digo “privacidade” estou apenas me referindo à preservação de sua verdadeira identidade e localização, e como dizem os sábios “Não se dá tiro de canhão para matar pardal”, vou falar superficialmente de algumas formas de  anonimato na rede e não entrarei em detalhes sobre utilização, características técnicas e fragilidades de cada uma delas.
A ideia é apenas mostrar que existem formas para dificultar sua identificação e localização.

Sites de ocultação de IP:
É uma das formas mais simplórias de anonimato. Para usá-la, basta escolher um site com essa finalidade e fazer seus acessos através dele. Alguns bem conhecidos são o AnonyMouse e o HideMyAss, mas uma busca no Google retorna um monte de outras possibilidades. Essa técnica pode ser usada em testes com implementações de geolocalizadores em sites ou para brincar com um amigo e fazê-lo pensar que seu site está sendo acessado a partir de outros países.

Proxies públicos:
Vários administradores, por necessidade, descuido, malícia ou desconhecimento técnico, acabam deixando servidores proxy configurados de forma a permitirem sua utilização por qualquer pessoa. Uma pesquisa rápida pode nos trazer uma lista desses servidores. A partir daí, escolhemos um que nos proporcione acesso com velocidade aceitável e configuramos nosso navegador para usá-lo. Além da utilização dada à técnica anterior, esta pode ser usada para transpor supervisores de conteúdo e evitar que os sites acessados descubram seu IP.

Ferramentas de Proxy:
Essas ferramentas, em geral, automatizam a tarefa para se usar um proxy público e ainda reduzem bastante as chances de se escolher proxies particulares erroneamente configurados. Outro ponto importante é que algumas dessas ferramentas escolhem servidores com melhor desempenho a fim incrementar o desempenho da navegação. A utilização dessa técnica é aconselhável nos mesmos casos da anterior.

Ferramentas para encadeamento de proxies:
Apesar das técnicas anteriores ocultarem o IP utilizado na estação, têm muitas limitações quanto ao seu anonimato. Com instalação um pouco mais complicada, as ferramentas que usam encadeamentos de proxies geralmente são mais eficazes porque utilizam alguns servidores encadeados ou até mesmo redes “próprias” a fim de tornarem bastante difícil qualquer tentativa de rastreamento. Sua utilização é indicada em tunelamentos para serem usados por programas de troca de arquivos, acesso a contas de e-mails em países com restrições à liberdade de expressão, navegação em ambientes hostis etc.

Lembrete Importante:
Tudo que você produz na internet fica armazenado em algum lugar, por dias, meses ou até anos. Empresas com representação legal em seu país podem se ver obrigadas por lei a quebrar seu sigilo fornecendo às autoridades tudo que tiverem a seu respeito. Isso vale pra maioria das redes sociais e programas de troca de mensagens. Tendo isso em mente, entenda que não adianta nada fazer algo anonimamente e depois contar vantagem para seu amigo via MSN por exemplo.
Um exemplo recente disso foram os quatro autodenominados hackers que distribuíram as fotos “caliêntes” da atriz brasileira e foram pegos. Entre as provas contra eles a policia tinha todas as conversas de MSN que eles trocaram.

Para iniciar algo com o mínimo de anonimato na internet:

Primeiramente, antes de acessar a internet com a maioria dos browsers de internet conhecidos (Firefox, I.E etc.), te aconselho a instalar o TOR que pode ser baixado aqui: www.torproject.org

Se precisar conversar com alguém a respeito de seja lá o que for e quer ter o mínimo de anonimato, te aconselho a usar um chat de IRC.
Se você utiliza sistema operacional Windows e precisa de anonimato acho bom você começar a pensar seriamente em trocar de sistema operacional. Um sistema Linux bem configurado pode lhe garantir um pouco de segurança diante de certas tentativas de rastreamento.

Para conversar ao telefone com o mínimo de anonimato e privacidade:

Se você precisa falar algo ao telefone fixo ou celular que mais ninguém além de seu interlocutor deveria ouvir, marque um encontro e fale pessoalmente porque em se tratando de telefonia no Brasil, alguém sempre pode estar escutando.

Ao utilizar as redes sociais lembre-se:

Houve uma época em que as redes sociais eram livres de advogados e oportunistas, mas isso faz parte do passado.
Não importa se o seu discurso é legal, preconceituoso, arrogante ou simplesmente chato. Cuidado, não fale demais. Primeiro por que ninguém realmente está interessado na sua vida, segundo por que, de um modo ou de outro, tudo o que você diz pode um dia ser usado contra você. E será, não tenha dúvida. Tudo o que é escrito, é lido e julgado pelos outros.
Enquanto você não souber lidar direito com a liberdade de poder falar o que quiser, ficar calado será sempre a melhor escolha.

19/05/2012 at 4:58 PM Deixe um comentário

Um Conto Paulistano…

De repente uma noticia soou com alarde nas mídias paulistanas, a noticia informava que a área gastronômica da Virada Cultural ia contar com a galinhada do Alex Atala, (recém-eleito o quarto melhor chef do mundo). As telas de LCD do metrô fizeram seu papel informando pra galera da periferia que na virada ia rolar “a galinhada”. Aí o povo chega lá e não tem galinhada. Ou melhor, tem fila.

 

Se existe uma coisa que atrai paulistano essa coisa é fila (sou paulistano, escrevo com conhecimento de causa). Não podemos ver uma fila que vamos correndo desesperados em direção a ela, sem ao menos saber onde vai dar (ou pra que serve) como se não houvesse amanhã. Aí a galera esperta chega com três horas de antecedência pra curtir aquela filinha básica e na hora que vai abrir a barraca da galinhada eis que surge Dadinho (Dadinho o Ca@#lho, o nome agora é Zé Pequeno) liderando a galera da periferia (que não curtem fila tanto assim) aos gritos de “Pega a Galinha! Pega a Galinha Po#@!” e lá se foi o que restava de amor próprio e de quebra, aquela maravilhosa e monumental fila de 3 km orgulhosamente organizada pelos queridos paulistanos “da gema”. Dizem que segundos antes de os revoltos invadirem o cordão de isolamento, pode-se ouvir alguém gritando “Farinha pouca, meu pirão primeiro!”.

Vendo a noticia na TV foi impossível não se lembrar dos kilométricos bolos concebidos para comemorar o aniversário de SP (que por incrível que pareça, não tem fila) e que (depois do “Tá na mesa pessoal, hora de matar a fomeee”) dificilmente duram mais que oito segundos (nesse caso, o amor próprio nem compareceu).
No ultimo 25 de Janeiro, durante a cobertura ao vivo do evento, poderia jurar que vi o Rei Leônidas de sunguinha se jogando contra os gregos o bolo e gritando “This is San Paolo!”.

Bom, voltando ao assunto principal, no final das contas, metade do povo que queria galinhada ficou sem. E como aparentemente, paulistanos resolveram decidir que amor próprio não leva ninguém a lugar nenhum, essa mesma turma resolveu chafurdar SP na lama da vergonha alheia convocando uma procissão em protesto até o chiquérrimo restaurante do Alex Atala, para pedir galinhada. Se estivesse em SP iria também, afinal, pode ser que role uma filinha proveitosa. De repente, tive a certeza que me mudar para o Paraná foi um ótimo negócio (aqui a semente da discórdia não seria uma galinhada, um costelão de chão talvez…).

 

Mensagem especialmente dedicada aos meus amigos paulistanos: “A melhor saída para SP é a Castelo Branco, mas se quiser evitar o transito de Alphaville e os pedágios pode vir pela 116 mesmo”.

07/05/2012 at 9:53 PM Deixe um comentário

Top 20 Best Ballads for Lovers

Top Ballads for Lover´s

Não é dia dos namorados, e o dia nem está próximo, mas como o clima aqui na terra das cataratas começou a ficar ameno (e eu adoro criar listas), aproveitei o frio da solidão durante o trajeto São Paulo – Foz do Iguaçu que percorri durante a noite/madrugada essa semana para criar uma lista com as 20 maiores musicas de amor de todos os tempos (segundo minha opinião e inspirado em minha querida esposa) para servir de trilha sonora para os amantes ficarem agarradinhos nesse inverno que está chegando.
Como critério, usei uma pasta só de musicas românticas (100 músicas para ser mais exato) que tenho no pen drive que sempre carrego comigo em minhas viagens. Dessas 100, elegi as 20 melhores.

Pra deixar a lista bem variada, decidi que nenhum artista deveria aparecer mais de uma vez:

20 – Candy (Iggy Pop & Katie Pierson)

Pra deixar claro que essa não vai ser uma lista açucarada e mela-cueca (embora com certeza vá ter muitas músicas açucaradas e mela-cueca) vou dar o pontapé inicial logo de cara com uma música sobre um amor bandido. Ou melhor, o amor de um bandido que está saindo da cadeia depois de 20 anos. E que mesmo assim ainda guarda uma declaração para sua amada que deixou do lado de fora. Que, numa história como essa, só poderia mesmo ser uma prostituta. O reencontro é nesse dueto inesquecível do rock’n’roll. Quem disse que a “escória” do mundo não ama?

“Beautiful, beautiful girl from the north you burned my heart with a flickering torch”

19 – Smoke Gets In Your Eyes (Platters)

Ok, alguns vão achar essa antiquada. E é mesmo, mas além de ter uma melodia linda e ser uma bela declaração, foi a música romântica que embalou nossos avós.
E se vocês acham que isso é pouco, vale lembrar que se seus avós não tivessem se pego ao som dessa música, seus pais não existiriam e consequentemente você não existiria também. Tenso, né? (Back to the Future #ModeON)

“Now laughing friends deride. Tears I cannot hide. So I smile and say. When a lovely flame dies, smoke gets in your eyes’”

18 – Linger (The Cranberries)

Dos bailinhos dos anos 50 pras festinhas de 15 anos da década de 90. Quando o violino de “Linger” começava a tocar, era sinal de que tinha chegado a hora da dança coladinha e de investir naquela garota linda da sua sala. Pouco importava a letra naquela altura.
Mas mesmo para quem já se ligava no que a Dolores falava, “Linger” foi uma grande canção de amor. De um amor sofrido, em vias de se apagar. Mas ainda assim, a maioria dos amores acaba tendo esse final… principalmente aqueles que começavam nas tais festinhas de 15 anos.

“You know I’m such a fool for you. You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha. Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to, do you have to let it linger?”

17 – I Want You (Elvis Costello)

Amor bandido, amor antigo, amor sofrido e agora o amor obcecado, quase perturbador. “I Want You” começa como uma baladinha bonitinha, uma declaração cuticuti, até que a voz de Elvis Costello se transforma e a música ganha um tom soturno, desesperado.
Ela representa aquele cara bizarro que depois do pé na bunda fica debaixo da janela da mulher na chuva chorando e se martirizando quando a vê com outro cara. Mas ainda assim é uma música incrível.

“Oh my baby baby I want you so it scares me to death. I can’t say anymore than ‘I love you. Everything else is a waste of breath”

16 – Your Song (Elton John)

Your Song tem um pouco de vários elementos que marcaram as músicas românticas ao longo da história. O cara é um fudido que tudo que tem para dar a mulher é seu amor (ou, no caso, essa música). Ele também é o malandro que está tomando coragem para se declarar para ela. E por último, tem aquele charme que algumas poucas músicas conseguem retratar, do cara ficar tão encantado pela mulher que até fica confuso (como na hora em que ele fica na dúvida sobre a cor dos olhos dela e usa isso como forma de dizer que ela tem os olhos mais doces que ele já viu). Mas mais do que tudo isso, o motivo de “Your Song” estar nesse ranking é por conseguir traduzir em uma simples frase a transformação que o amor pode trazer na vida de uma pessoa.
“Como a vida ficou maravilhosa agora que você está no (meu) mundo”.
Do caralho! Se o Elton John fosse macho, comia qualquer mulher que quisesse depois dessa.

“I hope you don’t mind. I hope you don’t mind. That I put down in words. How wonderful life is now you’re in the world”

15 – My Girl (The Temptations)

“Eu tenho a luz do sol em um dia nublado. Quando está frio lá fora, eu tenho o mês de maio” (que é verão nos EUA).
E o que faz o cara sentir isso? “My girl… my girl….”.
Simples e inesquecível. Nem preciso justificar a presença dela aqui.

“I’ve got sunshine on a cloudy day. When it’s cold outside I’ve got the month of may”

14 – If You Don’t Know Me By Now (Marvin Gaye)

O mestre do soul não podia deixar de aparecer numa lista como essa, mesmo que boa parte dos seus sucessos seja ligada não necessariamente ao amor, mas ao sexo. Só que “If You Don’t Know Me By Now” traz à toda o lado mais sensível do cara, em uma DR.
Uma discussão onde a salvação para o relacionamento em crise é o amor e a cumplicidade dos dois. Tudo isso em um dos refrões mais conhecidos da black music.

“Just trust in me like I trust in you. As long as we’ve been together. It should be so easy to do”

Ps.: Não encontrei um video de qualidade com a versão do Marvin Gaye mas a versão do Simply Red também é muito boa.

13 – Try A Little Tenderness (Otis Redding)

Mais um das antigas. Aqui um dos pioneiros do soul dá uma aula de como agir com a mulher que você ama, na maior classe e estilo. E só isso já estaria bacana. Mas o final espetacular eleva essa canção a outro patamar. É quase uma convocação para você agir e pegar a mulher.

“And it´s all so easy. Come on and try. Try a little tenderness”

12 – Friday I’m Love (The Cure)

Quem disse que o The Cure é depressivo, só pelo visual gótico? “Friday I’m Love” é uma das músicas mais animadinhas do grupo de Robert Smith e se trata de um amor confuso, daqueles que cada dia está em uma situação e nunca se estabiliza. Mas que não passa de uma metáfora para aquela hora em que a gente liga o foda-se pra tudo que passou. “É sexta, tô apaixonado.” E o resto que se exploda.

“I don’t care if monday’s blue. Tuesday’s gray and wednesday too. Thursday I don’t care about you. It’s friday I’m in love”

11 – God Only Knows (Beach Boys)

Tem algo mágico nessa música. Não sei se são as sinetinhas do começo, o sopro meio angelical… Acho que vale tudo pra ajudar a construir uma atmosfera divina pro amor, algo sagrado e intocável. Afinal, como o próprio refrão diz “só Deus saberia o que seria de mim sem você”. Tudo isso com uma harmonia e uma melodia incríveis, do tipo que os Beach Boys sempre foram mestres em fazer.
Até pensei em colocar nessa lista “Wouldn’t Be Nice”, também deles, que é igualmente foda. Mas por representar o amor acima de todas as coisas, “God Only Knows” fica sendo a representante dos Beach Boys nesse ranking.

“If you should ever leave me. Well life would still go on believe me. The world could show nothing to me. So what good would living do me“

10 – All I Want Is You (U2)

Mais uma representante de série “sou pobre e fudido, mas te quero”. O arranjo mais intimista dessa é como aquela chamada na chincha, aquele papo de pé de ouvido. É o cara dizendo que não tem nada a dar a ela além do amor, e que não quer nada do que a mulher oferece, só ela mesma. As pinceladas de violino na segunda parte da música são a cereja nesse bolo.

“All the promises we make, from the cradle to the grave. When all I want is you”

9 – Who’s Loving You? (The Jackson 5)

Um blues sobre a dor de um amor perdido. Um homem com o peso da solidão nas costas, a amargura de anos de infelicidade, cantando sobre o amor. O tipo de canção criada e moldada para a voz calejada de um senhor nos seus 50 anos, vivido. Mas que se tornou épica e inesquecível na voz de um garotinho de 9 anos. É em “Who’s Loving You?” que Michael Jackson mostrou até onde poderia ir e nos brindou com uma das maiores declarações à dor de amor que a música já produziu.

“Dont you know I sit around with my head hangin’ down. And I wonder who’s lovin you”

8 – Always On My Mind (Elvis Presley)

“Always On My Mind” na verdade é de Willie Nelson, mas foi na versão de Elvis Presley que ela ficou marcada. É mais uma canção do amor acabado, mas dessa vez sob a ótica de um homem arrependido que agora faz um balanço dos seus erros e finalmente diz o que deveria ter dito o tempo inteiro: que ela esteve sempre na cabeça dele. Por fim, um pedido de perdão e uma das canções mais marcantes da carreira do Rei do Rock.
Quase tirei essa pra colocar “I Can’t Help Falling in Love With You” na lista… mas convenhamos, a lista já fica beirando o cafona suficientemente sem ela.

“Little things I should have said and done. I just never took the time. You were always on my mind”

7 – The Origin of Love (Hedwig and the Angry Inch)

Talvez a escolha mais polêmica do ranking, “The Origin of Love” é certamente a menos conhecida das 20 músicas desse post. A música principal do filme “Hedwig – Rock, Amor e Traição”, uma ópera rock sobre um transexual alemão nos EUA, é uma grande lenda que tenta explicar a origem do amor em todas as suas formas, heterossexual e homossexual.
E pode soar meio bizarro incluir um rock sobre o castigo de deuses de diversas mitologias às antigas criaturas de quatro pernas que habitavam a Terra. Mas é no fim, quando toda aquela lenda se fecha que entendemos qual é, afinal, a origem do amor, não tem como não se apaixonar pela música. É a metáfora mais poética para almas gêmeas e esse sentimento chamado amor. Se você nunca ouviu, aproveite e descubra essa obra-prima agora.

“I could swear by your expression that the pain down in your soul. Was the same as the one down in mine. That’s the pain that cuts a straight line down through the heart. We call it love”

6 – Love Of My Life (Queen)

Um piano (nem sempre) acompanhando o violão de Brian May em acordes incomparáveis dessa melodia espetacular. O maior vocalista da história da música constantemente deixando de cantar para que uma multidão em uníssono pudesse fazê-lo. Foi assim que “Love Of My Life”, do Queen, marcou milhões e milhões de pessoas que assistiram a algum show da banda, seja ao vivo ou pela TV. Talvez seja simbólico esse negócio do Freddie Mercury deixar o público cantar em seu lugar. Afinal, todos nós em algum momento, ou vários só queremos dizer “amor da minha vida, não me deixe”.
O coração partido nunca recebeu um hino tão incrível quanto esse.

“When I grow older.I will be there at your side. To remind you how I still love you I still love you”

5 – Bizarre Love Triangle (New Order)

“Estou esperando por aquele momento final em que você diz as palavras que eu não consigo dizer.”
A covardia. O medo. A confusão. A angústia de não conseguir se declarar. O amor é um sentimento que às vezes provoca esse tipo de reação, e nenhuma música representa melhor essas nossas atitudes bizarras do que “Bizarre Love Triangle”. Justamente por isso, é talvez, de todas as letras, a mais fácil pra maioria das pessoas se identificarem.

“Every time I see you falling. I get down on my knees and pray. I’m waiting for that final moment. You’ll say the words that I can’t say”

4 – She (Charles Aznavour)

Uma declaração clássica. Mas isso não é demérito. Dizer “você é demais, você é tudo, você é duca” é fácil, mas tornar isso inesquecível exige escolher as palavras certas. As melhores metáforas. E Charles Aznavour escolheu certinho, nesse clássico que muitos aqui talvez conheçam da regravação que Elvis Costello fez para “Um Lugar Chamado Notting Hill”.

“Me, I’ll take her laughter and her tears. And make them all my souvenirs. For where she goes I’ve got to be. The meaning of my life is she”

3 – Hymne A L’amour (Edith Piaf)

Já falei antes aqui de amores acabados, partido, mas nenhuma dor é maior do que um amor interrompido pelo imponderável: a morte. Se Edith Piaf já pareceu sempre cantar com a alma, no seu Hino ao Amor ela vai além e faz uma ode ao amor eterno.
Para quem não sabe, o amor da vida dela morreu num acidente de avião. Esse baque, essa dor, esse sofrimento todo, a gente consegue ouvir nesse obra-prima da música, que exalta o amor como uma força tão grande que ultrapassa até a vida.

“Teremos para nós a eternidade, no azul de toda a imensidão. No céu não haverá mais problemas. Meu amor, acredite que nos amamos. Deus reúne os que se amam.”

2 – The Way You Look Tonight (Frank Sinatra)

Mais uma declaração tradicional. Só que com todo o estilo e manha do velho Frank, um cara no qual todos nós podemos nos espelhar. “The Way You Look Tonight” pode parecer em princípio fútil perto de outras músicas que vimos por aqui. Afinal, o cara tá falando que a mulher tá gata naquele dia, e não falando dela como um todo. Mas fala sério, que mulher não gosta de, na hora que vai sair, ouvir aquele elogio específico? E a letra é esperta, e vai nos detalhes, da personalidade dela à maneira como sorri. Ele descreve tão bem o que encanta nela, que torna a única conclusão possível se apaixonar por aquela mulher. O cara sabia das coisas.

“Someday.  When I’m awfully low.  When the world is cold. I will feel a glow just thinking of you and the way you look tonight”

1 – Something (Beatles)

Vendo música por música dessas que listei acima, dá pra gente perceber que o amor é inexplicável. Ele pode ser alegre, sofrido, épico, eterno, efêmero… mas nunca é fácil da gente entender de onde ele vem. E nem de controlá-lo. E não é à toa que a melhor música da melhor banda de todos os tempos fala disso.
“Alguma coisa no jeito que ela anda, me atrai como em nenhuma outra”. Alguma coisa. George Harrison não sabe o que. Não entende. “Você me pergunta se meu amor vai crescer, eu não sei, eu não sei”. Não sabe, porque não é nossa cabeça que decide essas coisas. O amor não é racional. Não dá pra explicar. Ele só sabe que a ama. E isso que importa.
É por isso que para mim, a melhor música sobre amor de todos os tempos é a que traduziu com maior perfeição a essência desse sentimento.

“Somewhere in her smile she knows. That I don’t need no other lover”

Nem todos vão concordar com a escolha das musicas dessa lista (e eu nem esperava que isso acontecesse), mas espero que essa lista desperte o lado romântico de cada um e que novas listas sejam criadas a partir disso, cada um tem uma musica preferida, comece agora mesmo a criar sua playlist porque, de acordo com os Starks “Winter is Coming”.

21/04/2012 at 5:24 PM Deixe um comentário

Tradição é tradição, mas Bacalhau não é peixe.

Comer bacalhau na semana santa já virou tradição aqui no Brasil, e por conta disso, muitos comerciantes se aproveitam do tradicionalismo para inflacionar os preços.
Mesmo com os preços nas alturas, muita gente não abre mão de saborear um belo bacalhau na páscoa.
O que muita gente (levada pela tradição) não se atenta, é que bacalhau não é peixe.
Calma gente, ninguém precisa ficar nervoso, nem ir ao mercado pedir seu dinheiro de volta.

Vou explicar melhor:

Bacalhau é o nome do processo de salgamento e ressecamento e não o de uma espécie de peixe, na verdade, existem cinco espécies de peixes com o titulo honorário de Bacalhau, inclusive o nosso Pirarucu da Amazônia.

Deve-se aos portugueses a introdução do bacalhau na alimentação. Os portugueses, desde o século XIV durante as grandes pescarias, já realizavam o processo comum de salga do pescado.

Alguns registros indicam a existência de fábricas de processamento de bacalhau na Islândia e Noruega no século IX. Os vikings são assim considerados os pioneiros na descoberta da espécie. A diferença se deu no tratamento; os vikings ainda não haviam descoberto o sal e apenas secavam o peixe ao relento. No momento em que o peixe estivesse pesando cinco vezes menos e endurecesse, estaria pronto para ser consumido nas longas viagens pelos oceanos.

Ok, agora que vocês já sabem disso, podem voltar para a mesa e saborear um delicioso bacalhau.

Boa Páscoa a todos.

 

Ps.: Que nesta data tão nobre vocês comam muitos ovos de Páscoa; pretos, brancos, crocantes, recheados e trufados, mas jamais se esqueçam que o verdadeiro motivo desta comemoração é a ressurreição de Jesus.

07/04/2012 at 4:44 PM Deixe um comentário

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